O senador conseguiu reunir em torno de sua candidatura a maior quantidade de partidos, mas talvez não consiga traduzir isso em resultado prático
Roberto Rocha (PTB) é hoje o pré-candidato a senador de uma coalisão de partidos que se juntaram em oposição ao ex-governador Flávio Dino (PSB), principal concorrente à única vaga para o senado pelo Maranhão este ano.
Aliás, esse era um feito que Dino é quem esperava alcançar: ser o candidato de todos. Não deu. Foi Roberto quem conseguiu aglutinar as maiores forças em torno de si. Mas, nem sempre força política consegue ser transformada em força eleitoral. Esse é o grande desafio de Rocha.
Apesar de contar com o apoio declarado de mais de 10 partidos que se reuniram para enfrentar Flávio Dino e reeleger Roberto Rocha, figuras importantes dessas legendas resistem, silenciosamente ou não, ao nome do senador. E o maior responsável é o próprio Roberto.
Um partido é feito de pessoas. E no processo eleitoral, as figuras mais importantes nos partidos passam a ser os candidatos. E dos candidatos, o que ganha mais peso é o candidato majoritário. É com ele que o eleitor cria vínculo, é nele que o eleitor confia, é ele que o eleitor terá em mente em frente à urna. Não o partido. O candidato.
Se Roberto espera conquistar os eleitores que votarão em Lahésio Bonfim, não basta ter o apoio do PSC; se espera ter os votos do eleitores de Edivaldo Jr., não basta ter apoio do PSD. Isso pra ficar somente nesses dois exemplos.
Edivaldo até agora mantém silêncio em relação a Roberto, não fez nenhum gesto ou ato que tenha servido para alavancar a pré-candidatura do petebista; já Lahésio até chegou a conversar com Rocha, mas tem externado insatisfação com o senador. Inclusive tem feito agendas públicas com outro pré-candidato, o pastor Bel (AGIR). “Eu vou andar com quem não tem vergonha de andar comigo”, desabafou Bonfim.
A continuar assim, a frente ampla em torno de Roberto servirá apenas para inflar seu próprio ego. Se não descer do pedestal e encarar o desafio de pedir ajuda a todos, dos maiores aos menores, dos mais importantes aos menos importantes no processo eleitoral, Roberto corre o risco de ser engolido pela própria empáfia.